quinta-feira, 9 de agosto de 2012

90 dias com você


No começo, eu hesitei em tentar novamente, porque a voz da minha consciência dizia que ia ser igual, que eu já sabia onde iria acabar, era uma espécie de premonição, aquela sensação intuitiva que ia dar errado novamente.

A vergonha de contar para as pessoas que gostam realmente de mim era muita, mas, escutei aquela velha frase "você vai tentar novamente? Não cansou de sofrer?", algumas não falaram nada, o silêncio disse por elas as mesmas coisas que eu já estava cansada de saber.


 No fundo eu me devia uma nova tentativa, mesmo que eu já soubesse o final. Eu me doei por inteira, para que dessa vez não houvesse nenhuma voz interior martelando na minha cabeça dizendo que a culpa de ter dado errado era minha.


E foi assim, dias maravilhosos, você realmente parecia ter mudado, dias intensos, sorrisos, carinhos, chocolates.

Não acreditei quando você me apresentou para pessoas especiais da sua vida.


Com o passar dos dias eu comecei a sentir falta de uma segurança, essa que se tem quando se esta com alguém que gosta, mas a sua tal liberdade, essa que você insiste em não abrir mão, essa que você tem medo de alguém roubar, cuida e cria como se fosse uma filha, impedia que você soubesse o que era segurança.

Comecei a perceber que eu te passava segurança sem receber nada em troca, assim era fácil estar no seu lugar.


Esses dias  que passei sozinha, assistindo um programa de televisão   eu vi algo do tipo que dizia que as pessoas jovens dão muito valor a liberdade e ao passar do tempo começam a dar muito valor a segurança, o ideal seria que houvesse uma balança entre uma e outra.


Pois é, falando assim parece até que eu tenho 30 anos, dando valor demais a segurança, mas, será que alguém nesse mundo sabe dosar uma e outra.


O problema começou quando você começou de fato a me apresentar como namorada, mas, em nenhum momento chegou a me pedir que fosse somente sua algo que você realmente desejava.


Porém, a sua liberdade impedia que você quisesse ser somente meu, talvez sua liberdade seja um poste sem iluminação onde ficará acorrentado pelos tornozelos para sempre.


O que eu intuía realmente aconteceu, por mais que eu realmente queria que dessa vez desse certo, eu cansei.


Cansei de esperar você amadurecer, cansei de esperar você tomar um rumo na sua vida, cansei desse sentimento sem razão nenhuma de existir.


E passei a perceber, que você não merece esse carinho todo que eu sinto por você, não merece essa vontade que eu tenho de te ajudar a tomar um rumo, não merece que eu perca o sono pensando em você, não merece meus olhos inchados de manhã, não merece me tirar o foco dos meus desejos, não merece que atravesse a cidade para te ver, não merece, não merece.


E nossa história chega ao fim de mais um capítulo, nesse enredo sem fim, espero no meu mais ímpeto que tenha realmente chego ao fim.Espero que dessa vez eu consiga matar essa minha mania de alquimista, de achar que posso mudar as pessoas.




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eu já não sei quantas vezes eu disse que não voltaria atrás e voltei..



Segunda-feira, é sempre o pior dia da semana, é dia de ressaca moral.



"Mas sei lá, não sei se toda essa coisa patética é mesmo necessária. Tô resolvendo umas coisas aqui viu, esses negócios de sentimentos demonstrados demais meio que estraga. Tô aqui aprendendo que nem todos dão valor ao que você pode oferecer, e acabar demonstrando afeto demais começa a encher o saco, e eu digo tudo isso da minha parte. Chega de ligações, preocupações, sentimentos demonstrados aos extremos. Vou ficar mais relax mesmo, não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não me veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais. É apenas um aviso que eu deixo bem simples: se quiser, me procura você. E outro aviso que eu deixo também: isso tudo é só conversa mesmo, teóricamente falando, tá tudo certo. É quando chega na hora da prática que ferra com tudo".

[Caio Fernando Abreu]



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Atravessar agosto...




Dicas do escritor Caio Fernando de Abreu para atravessar agosto:

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro – e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
(...)
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco".


Começar a escrever um blogger em agosto, é preciso coragem, muita paciência, pois agosto é um mês do qual tudo pode acontecer ou não, é um mês para terminar ciclos, renovar energias, tomar decisões e o mais importante seguir em frente.

Tenho muitas lembranças de fatos e acontecimentos bons e ruins no mês de agostos, sentimentos a flor da pele, decisões tomadas para não pensar em voltar atrás, apenas uma que não teve como não voltar atrás, você.

Você que atravessa os anos, sempre o destino da um jeito de fazer voltar, foram tantas despedidas, mas, nunca ouve um adeus, foram sempre até qualquer dia de sol.

O sol, este que brilha todos os dias nessa cidade, me faz lembrar você todos os dias, porém até hoje ele nunca me trouxe as respostas para as perguntas nunca ditas.

Talvez essa falta de palavras, essa falta de decisões concretas seja a única coisa que nos mantém juntos e nos distancia a cada dia, pois, nunca foi um amor inteiro, completo, sempre foi um amor de quase e "se",
mesmo sabendo que quase amor nunca será amor e que o "se" nunca existiu.

Hoje acordei com os pensamentos embaraçados, confusos e a minha inconstância ou talvez seja a minha proteção, pediu novamente que eu fosse embora, mas dessa vez eu vou até o fim.